Para que não haja outro “Dia Internacional da Mulher”!

Gostava imenso de não escrever este texto; de não assinalar este dia: era sinal de que toda a Humanidade vivia numa sociedade equitativa em termos de género.

Não sendo assim, infelizmente, causa-me algum constrangimento a “comemoração” deste dia com festas ou jantares. Ou ver catálogos de publicidade inundados de presentes para a mulher: flores, bombons, canecas… (e porque não um berbequim?!).

Sou mulher, gosto de comemorar e de receber presentes quando há motivos que os justifiquem. Mas não destes; não neste dia.

Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 8 de março como “Dia Internacional da Mulher”. Embora as origens desta data sejam diversas, o ideal que a inspira está relacionado com a Igualdade de Direitos entre homens e mulheres; com um caminho de conquistas que estas foram percorrendo ao longo dos anos, em diferentes áreas, fazendo ouvir a sua voz, demonstrando as suas capacidades, independentemente das suas características físicas, culturais, políticas…

Características que nos distinguem dos homens, porque não somos iguais (e ainda bem!), não somos mais do que eles… mas sim, características que não impedem que tenhamos os mesmos direitos sociais, políticos, religiosos… Características que nos distinguem, inclusive, entre mulheres, porque todos somos únicos!

Por isso, o “Dia Internacional da Mulher” não é um dia de festa! É um dia para lembrar o caminho que ainda falta percorrer até uma realidade justa! É um dia de afirmar convicções, de trazer à luz as realidades que não queremos que persistam!

Por isso, o “Dia Internacional da Mulher” não é um dia para receber prendas! É um dia de assinalar a quantidade de mulheres que sequer veem os seus Direitos Universais serem cumpridos; que não têm liberdade; que sofrem privações; violência física, psicológica… que são mortas!

Por isso, o “Dia Internacional da Mulher” não é um dia de jantares foliões, entre mulheres, como se fosse o “Dia da Exclusão Masculina”. É um dia para JUNTOS, fazer ouvir uma voz comum e trilharmos um caminho no qual AMBOS exigem Igualdade nos Direitos, independentemente das diferenças. Sejam pequenos (grandes) passos, conquistas!

Um dia talvez não escreva sobre o “Dia Internacional da Mulher”, mas sim sobre outro que assinale uma sociedade em que, independentemente do género, todos sejamos tratados como Pessoas com Direitos Iguais e Deveres Iguais.

Quanto a nós, que educamos diariamente as nossas crianças e jovens, podemos começar por transmitir-lhes esta premissa e atuar de acordo com ela: não há tarefas de menino e menina; não há brincadeira de menino e menina; não há cor; não há profissão; não é normal um ser mais do que outro; sejamos tratados de acordo com o nosso valor, com respeito! Cada um vale por si mesmo e todos valem muito!

Susana Alves Alberto, Educadora de Infância, Coordenadora Pedagógica Projeto Grupos Aprender, Brincar, Crescer – Génios & Traquinas